Os mamíferos

Os cães domésticos estão presentes no cotidiano humano a milhares de anos. Domesticado a cerca de 10.000 anos, foi transformado, através de seleção artificial, em diversas raças, que serviram aos humanos, de diversas formas, desde então.

Esqueleto reconstituído de um Canis dirus, o lobo pré-histórico, que viveu na América do Norte a até cerca de 10.000 anos atrás. Apesar de ter sido contemporânio dos lobos (Canis lupus) e dos cães (Canis lupus familiaris), não é considerado antepassado de nenhum dos dois. (Foto de Postdlf)

Apesar da grande variedade de raças hoje existentes no mundo, todas são apenas expressões genéticas, segundo a hipótese mais aceita, de uma subespécie de Canis lupus, o lobo. Mas mesmo a origem dos cães domésticos (Canis lupus familiaris) ainda gera muita discussão. Os cães pertencem a antiga e variada linhagem dos canídeos, uma família da Ordem dos carnívoros, que geralmente é pouco conhecida dos admiradores desse nobre animal doméstico.

A série de textos que começa agora, têm como objetivo apresentar com mais profundidade o cão que você tem em casa. Mas o focaremos nos outros membros da família Canidae, os que ainda habitam o planeta Terra e outros já extintos, que fizeram parte dos 40 milhões de anos da história do grupo.

A história que será contada começa bem antes do surgimento dos canídeos, milhões de anos antes. Para entender a história evolutiva do grupo, faz-se necessário contar como uma linhagem de répteis, os synapsidas, foram aos poucos evoluindo até se transformarem nos mamíferos e como os mamíferos primitivos originaram a linhagem dos carnívoros e posteriormente a linhagem dos canídeos.

Por quê os cães são classificados como vertebrados/aminiótas/mamíferos? Por quê pertencem ao grupo conhecido como Carnivora? Quais foram as linhagens ancestrais de canídeos já extintas? Quais são as linhagens de canídeos selvagens atuais? O quê a ciência diz sobre a origem do cão doméstico?

Para tentar responder a essas e outras perguntas, contaremos a história da evolução dos mamíferos e as características únicas que diferenciam esse grupo, depois focaremos nas linhagens primitivas extintas de canídeos e, por fim, apresentaremos as linhagens atuais e cada uma de suas espécies, com características, hábitos e situação ecológica.

Canídeos: Vertebrados, amniótas e mamíferos.

Na zoologia, os canídeos são classificados como mamíferos, uma Classe do Subfilo Vertebrata, ou seja, animais que possuem coluna vertebral segmentada. Reino Animalia→Filo Cordata→Subfilo Vertebrata→Classe Mamalia. Os vertebrados reunem todos os peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Os registros fósseis mais antigos de vertebrados datam de cerca de 445 milhões de anos atrás. Outras características compartilhadas pelos mamíferos com os outros vertebrados, além da coluna vertebral, são:

  • A presença de um sistema nervoso central, composto por um cérebro, protegido por um crânio, e a medula espinal, localizada dentro da coluna vertebral.
  • Simetria bilateral, ou seja, os dois lados do corpo são simétricos, a partir de um eixo central.
  • Possuem um sistema muscular geralmente simétrico, os músculos de um lado do corpo são iguais aos do outro lado.

Os mamíferos, dentro do Subfilo Vertebrata, são ainda classificados em outro subgrupo, o dos Amniotas, que ainda inclui, os répteis e as aves. Os amniotas diferem dos peixes e anfíbios pela presença de três membranas fetais, o âmnio, o cório e o alantóide, que protegem o embrião durante o seu desemvolvimento, além de facilitar a troca de oxigênio com o meio e oferecer um depósito eficiente para o produto de excreção do feto, essas duas últimas características são possibilitadas pela mebrana alantóde.

O mais provável ancestral dos amniotas é o Westlothiana lizzide um pequeno vertebrado, semelhante a um lagarto, encontrado em sedimentos, datados em cerca de 350 milhões de anos, da Escócia. Uma outra espécie, Casineria kiddi, cujos fósseis também foram encontrados na Escócia, datando de 340 milhões de anos atrás, é o mais forte candidato a primeiro amniotas verdadeiro. As outras características ancestrais compartilhadas pelos amniotas são:

  • Fertilização interna.
  • Presença de derivados queratinizados da pele, como escamas, penas e pêlos.
  • Sistemas renais e pulmonares mais complexos.

Os mamíferos e as aves, diferem dos répteis, por possuírem “sangue quente”, que significa que são mais independentes, com relação à temperatura ambiental, para manterem suas temperaturas corporais. Além disso, ao contrário dos répteis, possuem circulação diferenciada completa e quatro câmaras cardíacas, ao invés de duas. Mas apesar das semelhanças, mamíferos e aves descendem de diferentes linhagens de répteis e suas semelhanças evolutivas foram alcançadas paralelamente.

Os mamíferos atuais estão divididos em três linhagens evolutivas. Os Prototheria, composto grupo dos monotremados (ornitorrinco e équidna), que botam ovos e não possuem mamas, sendo que o leite materno escorre pelo pêlo e daí é sugado pelo filhote. Os Metatheria, composto pelos marsupiais (cangurus, coala, gambá e afins), em que os filhotes nascem prematuros e escalam o corpo da mãe até bolsas abdominais (marsúpios), onde se agarram nas mamas e completam o seu desenvolvimento. A maioria dos mamíferos atuais são Eutheria ou placentários, em que o desenvolvimento se dá dentro do corpo da mãe e os filhotes já nascem bem desenvolvidos. Os canídeos pertencem a esse último grupo.

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