Comportamento de Cães em Grupo e Linguagem Canina

O Objetivo deste trabalho é trazer informações sobre a linguagem e o comportamento dos cães em grupos, para entendê-los melhor

Indice

• ORIGEM DO CÃO DOMÉSTICO
• A DOMESTICAÇÃO
• AS DIFERENTES RAÇAS
• O COMPORTAMENTO DO CÃO DOMÉSTICO
• A COMUNICAÇÃO
Gestos e Entonações
• HIERARQUIA
• A VIDA EM MATILHA
O ritual das refeições
O comportamento sexual
• OS COMPORTAMENTOS DE AGRESSÃO
Agressões de domínio
Agressão por irritação
Agressão por medo
A agressão territorial
A agressão maternal
• DO ATAQUE AO APAZIGUAMENTO

Origem dos cães domésticos

Desde o Chihuahua ao Dog Alemão, todos os cães derivam de uma mesma espécie, apesar de ser impossível determinar como era a aparência da primeira espécie de cão devido à ausência de fósseis, e por isso a dificuldade de os paleontólogos penderem a origem dos cães domésticos em favor do lobo, considerados mais próximos por seu comportamento ou do chacal ou do coiote, similares pelo tamanho. Finalmente análises do DNA mitocondrial provaram que o lobo é o parente mais próximo do nosso cão e que a construção dos cromossomos é idêntica, portanto são também da mesma espécie. Devido a essas análises as instituições científicas passaram a classificar os cães, que antes eram classificados como uma espécie autêntica (Lupus Familiaris), como uma subespécie de lobo, com denominação Canis Lupus Familiaris.
Os Homens e os Lobos
… Nenhum esqueleto de Canis Lupus Familiaris foi encontrado com os seres humanos antes de 30.000 anos antes de nossa era…
Nessa época o ser humano e os lobos apresentavam várias semelhanças na sua organização social que contribuíram para a sua aproximação…
• eram nômades;
• os homens se organizavam em torno da caça e da colheita. Os lobos em alcateias de 20 a 30 indivíduos eram predadores, comedores ocasionais de cadáveres e até mesmo vegetarianos;
• ambos caçavam presas variadas (lebres e castores) e animais bem maiores que eles (cervos, alces e renas);
• caçavam coletivamente, se adaptavam a todos os tipos de terreno e modificavam seu modo de abordagem de acordo com as circunstâncias. Os lobos escolhiam, de preferência, animais enfraquecidos, que atacavam revezando-se ou organizando verdadeiras incursões coletivas;
• os respectivos tipos de caça do ser humano e do lobo eram altamente elaborados e forçaram a formação de uma estrutura social e a sua hierarquização para ambos, onde participavam da caça os elementos mais fortes, portanto dominantes, machos e fêmeas e os outros aguardavam os frutos da caça no acampamento.
A mesma caça, o mesmo território, mesma técnica, mesma estrutura social… todos esses fatores contribuíram para a aproximação dessas duas espécies, e de fato, para que a domesticação de uma espécie seja possível e necessário à substituição de modo de vida, e quanto menor for a mudança, mais fácil se torna a adaptação.
A domestição
A atração entre o homem e o lobo provavelmente foi mútua. Os humanos perceberam nos lobos enquanto caçavam seus uivos, e como funcionavam em sua comunicação e ponto de referência. Os homens deixavam comida e os permitia que se beneficiassem da proteção do fogo, que por sua vez cuidavam da guarda do território. Depois a adoção de filhotes encontrados durante as caçadas, que depois de crescidos voltavam para as alcateias até que um dia o homem conseguiu a fidelização de um deles.
As diferentes raças
A multiplicação das raças acontece logo após a fidelização dos primeiros lobos, por exclusão de tipo e comportamento. Na sociedade de hoje o cão se tornou cada vez mais um animal de companhia, e até mesmo um membro da família.
O comportamento do cão doméstico

O cão, se devidamente socializado com outros cães e humanos, “entendem” a família humana como sua própria matilha, dessa forma ele deverá reproduzir o sistema de hierarquia estabelecido pelos cães selvagens, dessa forma, na sua matilha, sempre haverá um dominante e um dominado e se adaptarmos a educação dos cães à filosofia canina, poderemos evitar muitos problemas de comportamento devido a uma má hierarquização da “matilha” humana.

A comunicação

É impossível recorrermos à linguagem para estabelecer a comunicação, porém, se lhes faltam as palavras, eles ainda tem todo o resto, e é com este “resto” que podemos construir a comunicação.
Gestos e Entonações
Ao nos comunicarmos, junto com as palavras, uma série de elementos não sonoros como o tom da voz, as expressões faciais o diâmetro das pupilas os movimentos do corpo (postura e ritmo do seu encadeamento) compõe a comunicação. Com os cães o discurso será construído inteiramente por gestos e entonações. Assim, quando fazemos o cão se sentar, não é porque dizemos “senta!” que ele executa a ordem, mas porque associamos este som a gestos que sugerem o movimento a ser executado e foi recompensado por isso.

Hierarquia

Um ato associado à palavra pode corresponder a uma situação que tem significado hierárquico para o cão e implicar sua submissão. Dessa forma, são sinais não verbais que emitimos que reforçam ou prejudicam a mensagem.
ex. Imaginem que um cão macho sobe na poltrona que o dono reserva pra si habitualmente. O cão identificou a poltrona como um lugar importante a controlar para manter uma posição hierárquica dominante. Quando o dono o cão lhe dá a ordem para descer, ele pede ao cão para deixar uma zona importante na hierarquia familiar. Se ele fizer isso sem se perguntar se o cão vai ou não obedecer, sua entonação vocal, o olhar, a posição do corpo (levemente inclinado para frente) mostrarão ao cão que o dono se vê como o dominante. Em compensação se o final desse confronto parecer incerto para o cão (em sua entonação, fisionomia e corpo), poderá levar o cão a tentar ameaçar o dono para se posicionar hierarquicamente.
Esse tipo de situação pode rapidamente se transformar em um drama, se a falta de convicção do dono der lugar ao medo diante dos rosnados do cão, que passa então a se considerar como dominante.

A vida em matilha

O cão só pode viver bem no seio de um grupo estruturado, mesmo os cães de companhia, que não vivem mais em matilha, sentem necessidade, a cada encontro com outros cães, de marcar sua posição hierárquica. Essa necessidade deve ser respeitada pelo dono, para o bom equilíbrio do cão.
O comportamento do cão de companhia, derivado do comportamento dos cães em estado selvagem, obedece as mesmas regras. As diferentes fases de socialização descritas mais adiante a respeito do cão em matilha, existem também quando o filhote se desenvolve dentro de uma família.
Para garantir sua sobrevivência no grupo e manter o equilíbrio dele, cada cão deve respeitar as regras que regem o comportamento da matilha. Em qualquer situação, os machos dominantes reivindicarão privilégios: matar a caça, alimentar-se, e atribuição de território. Foi essa organização muito hierarquizada que permitiu ao cão se adaptar a todos os tipos de climas, caca e territórios.
A matilha de cães vive em um território, espaço coletivo organizado em torno de uma zona central na qual residem os machos e fêmeas dominantes com seus filhotes. Os outros cães se dividem em porções organizadas concêntricas, os indivíduos mais abaixo na hierarquia (machos adolescentes), os mais afastados do centro. Não e necessário grandes áreas para que essa organização aconteça.

O ritual das refeições

Os animais não se alimentam a medida de sua fome ou de sua chegada ao local da refeição. Os próprios filhotes não tem prioridade. São os machos dominantes que “abrem o banquete”. Rapidamente eles toleram a participação das fêmeas dominantes; o resto da matilha, inclusive os filhotes, devera esperar que eles lhes deixem a carcaça. Neste sistema, tudo e ostentação. O importante e ser visto comendo. De fato os dominantes comem lentamente, param assim que os dominados desviam o olhar ou se vão, para recomeçar assim que estiverem atentos novamente. Os dominados, quando chegar a sua vez, comerão vorazmente e serão muito agressivos durante toda a refeição. Em contra partida, se os dominantes são ameaçadores durante o inicio do banquete para manter os subordinados a distancia; a seguir, permitem que se aproximem adotando posturas de apaziguamento.
O comportamento sexual
A sexualidade e um dos pontos fundamentais da organização da matilha. Assim, como na alimentação, a ostentação tem fundamental importância. Os machos dominantes realizam o acasalamento na presença dos demais machos da matilha. A fêmea predileta é aquela que recebe a atenção do macho dominante, que brinca com ela e divide o local onde ele se retira. Para as fêmeas, tornar-se parceira de um macho dominante, significa conquistar uma posição social dominante. Muitas vezes as fêmeas jovens, por ocasião do primeiro cio, tentam atrair a atenção do macho dominante, e acabam por alvo das fêmeas que ocupam essa posição.

Os comportamentos de agressão

Conflitos hierárquicos podem gerar ameaças e até mesmo luta entre os indivíduos de uma mesma matilha. Os enfrentamentos reais continuam sendo uma exceção, pois a eficácia dos sistemas de comunicação permite evitar que as mandíbulas tenham de intervir. No entanto, diferentes comportamentos de agressão podem ser observados no cão.

Agressões de domínio

São provocados por um questionamento da posição hierárquica de um dominante por um dominado ou quando há competição entre dois cães da mesma posição para conseguir a preeminência. Em princípio, elas se acontecem em três fases: a ameaça, o ataque, e o apaziguamento.
Em geral, a ameaça e suficiente pera resolver os problemas: o cão eriça os pelos dorsais, abaixa as orelhas, mostra as presas e as pupilas dilatam. O andar e rígido, ele avança sobre o adversário projetando a cabeça para frente, ao mesmo tempo em que alarga os ombros. Todos esses sinais vão ser mais ou menos marcados, conforme o cão se vê hierarquicamente superior ou não perante seu adversário. Quanto mais sua atitude for ameaçadora, mais dominante ele se mostrara e mais chance terá de obter a submissão do adversário sem combater. Neste ultimo caso, o dominante acaba chegando ao contato do dominado, que rosna abaixando o pescoço e desviando o olhar; o dominante coloca um dos seus anteriores no pescoço do dominado ou monta-o.

Agressão por irritação

Esta é provocada por dor, fome, frustrações e sujeições. A sequência é facilmente observada em um cão ao qual se administram tratamentos dolorosos. O animal tem as orelhas caídas no pescoço, a cabeça fica baixa, ligeiramente virada em direção a fonte da dor. Ele mostra os dentes de forma cada vez mais marcada e bate o rabo com pequenos golpes, o qual fica baixo ou encolhido sob a barriga. Neste estágio, o cão associa mímicas de ameaça e sinais de apaziguamento (a pessoa que esta tratando dele é considerada como dominante), que poderíamos transcrever em linguagem humana em: “cuidado, você esta me machucando. Se demorar demais eu vou me defender…”. O cão morde se a dor persistir. E uma mordida breve, seguida de fuga para o local onde o cão se retira habitualmente em caso de conflito. Essa fuga pode ser acompanhada de rosnados se o cão for perseguido.

Agressão por medo

Esta costuma se manifestar na impossibilidade de fuga. Voltando ao exemplo anterior, o cão apresentou agressão por irritação durante a administração de cuidados, mordeu o dono, pulou da mesa e se refugiou atrás da poltrona. O dono, furioso por ter sido mordido, se precipita até o refúgio do cão para castigá-lo e continuar os cuidados, e se posiciona diante da única rota de fuga possível. O cão, acossado, joga-se para cima do dono, sem ameaça previa ao mesmo tempo em que urina ou defeca, esvaziando as glândulas anais. Ele saliva abundantemente e morde profundamente por diversas vezes antes de fugir para outro refúgio, no qual levará diversos minutos para recuperar o folego e a frequência cardíaca.

A agressão territorial

Se dá sob formas diferentes de acordo com o intruso se deparar com um dominado ou dominante. Apenas os dominantes podem aceitar ou recusar a entrada no território, enquanto os dominados estão ai para alertar sobre a intrusão e para apoiar o dominante em caso de combate. Diante do intruso, o dominante vai adotar uma postura ameaçadora, rosnando e arranhando o solo ao qual ele urinou ou defecou previamente. Se não for suficiente ele atacará, muitas vezes com a ajuda dos outros machos, e reconduzira o intruso até os limites do seu território. Quanto aos dominados, concentram-se em latir, com alguns rosnados, mas fogem se o intruso passar além.

A agressão maternal

Durante o primeiro período de educação de seus filhotes, a cadela permanece afastada da matilha e monta guarda em volta de seu ninho. Ela ameaça qualquer desconhecido e ataca imediatamente se este não recuar.
Do ataque ao apaziguamento
Quando o blefe da ameaça não é suficiente, o dominante desencadeara o ataque. O objetivo da ação e agarrar o pescoço do adversário para força-lo a assumir a postura de submissão, isto é, deitar-se de costas de forma a expor o ventre ao adversário. Essa postura inibe de imediato a agressividade do vencedor que vem cheirar a região anal e genital do vencido. Este ultimo vai rosnar e mostrar os dentes durante todo o tempo em que seu vencedor o estiver cheirando, antes de se levantar, com as orelhas e cabeça baixas e o rabo encolhido sob o ventre. Quanto ao dominante, tem as orelhas e o rabo erguidos, o pelo eriçado, o pescoço estendido. Ele coloca um de seus anteriores sobre o pescoço do dominado, que mordisca a sua beiçada ou o pescoço: é o apaziguamento.

Imagens auxiliares de apoio

Postura relaxada, Postura de Alerta, Postura de Submissão Ativa, Postura de Convite para Brincar, Postura de Ameaça Ofensiva, Postura de Submissão Passiva, Postura de Estresse, Postura de Ameaça Defensiva

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