CÃO-GUAXINIM (Nyctereutes procyonoides)

Vamos começar agora uma série de postagens com o objetivo de apresentar todas as espécies de CANÍDEOS SELVAGENS que ainda habitam o planeta Terra.

Hoje existem 35 espécies de canídeos selvagens distribuídos por todo o planeta, com exceção da Antártida e das ilhas oceânicas, onde, em muitos casos, foram introduzidos pelos humanos.  Trinta e três espécies estão distribuídas em duas Tribos: Canini, que abriga 19 espécies dos chamados cães, com oito gêneros (Canis, Cuon, Lycaon, Atelocynus, Cerdocyon, Lycalopex, Chryocyon e Speothos); e Vulpini, que abriga 14 espécies das chamadas raposas, com apenas dois gêneros (Vulpes e Urocyon). Duas espécies de canídeos não se encaixam em nenhuma das duas Tribos, porque são considerados mais primitivos evolutivamente, por apresentarem características mais parecidas com canídeos antigos já extintos, os gêneros Otocyon e Nyctereutes.

caoguaxinimfossilComeçaremos nossa viagem pelo mundo dos canídeos selvagens pelos gêneros mais basais e hoje nosso foco estará centrado no cão-guaxinim (Nyctereutes procyonoides). O gênero Nyctereutes divergiu dos demais canídeos entre 10 e 7 milhões de anos atrás e guardam muitas semelhanças na forma e no comportamento com as espécies mais antigas de canídeos. Hoje resta apenas uma espécie, conhecida como cão-guaxinim (raccoon dog) ou tanuki, mas pelo menos outras seis espécies extintas são conhecidas.
Raccoon_Dog_areaA espécie mais antiga conhecida é o Nyctereutes donnezani, européia, com fósseis encontrados na Espanha, Polônia, Alemanha e Turquia, que viveu entre 9 e 3,4 milhões de anos atrás. A partir de 3,6 milhões de anos atrás o gênero diversificou-se. Uma espécie africana, encontrada no Marrocos, surgiu nesse período, Nyctereutes abdeslani, que desapareceu por volta de 1,8 milhões de anos atrás. Na Europa mais duas espécies são registradas, Nyctereutes megamastoides e Nyctereutes tingi, essa segunda também encontrada na Ásia apresentava a maior área de distribuição do gênero. No leste da Ásia a espécie Nyctereutes sinensis existiu até cerca de 780 mil anos atrás e nessa época todas as espécies citadas antes já haviam desaparecido.

Uma espécie representa o gênero hoje em dia, o cão-guaxinim (Nyctereutes procyonoides), que originalmente habitava o Japão, a Manchúria e o sudeste da Sibéria, mas que entre 1929 e 1955 foi largamente introduzido na antiga União Soviética e daí se espalhou pela Escandinávia e os Países Baixos, chegando, posteriormente, até a França e a Itália. O nome popular em português e inglês (raccoon dog) vem da semelhança com o guaxinim (procyon lotor), carnívoro da família dos procionídeos. São reconhecidas cinco subespécies, cujo habitat natural são os bosques, podendo, também ser encontradas em planícies, regiões montanhosas e pantanosas.

É a espécie de canídeo mais arcaico, ou seja, a que apresenta características mais próximas dos antepassados da família. Um animal arredio, com atividade crepuscular e noturna, gregário, que vive solitário ou em pequenos grupos familiares. Na época do acasalamento se reúnem em pares e o macho ajuda no trato dos filhotes. A gestação dura de 61 a 70 dias, depois da qual nascem, geralmente, de 6 a 7 filhotes (existem registros de até 16), que se tornam sexualmente maturo de 8 a 10 meses.

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O animal adulto pode chegar a 65 centímetros, contando a cauda, que é relativamente curta. O peso fica entre 4 e 10 quilos. No inverno é o único canídeo que pode entrar em estado de torpor, que não chega a ser uma hibernação, mas é um processo semelhante, e é uma das duas únicas espécies de canídeos capaz de subir em árvores (a outra é a raposa cinzenta), graças as suas garras curvas. Vivem de 3 a 4 anos na natureza, mas em cativeiro pode chegar a onze anos.

São onívoros, que se alimentam de grande variedade de pequenos vertebrados e invertebrados, não dispensando uma carniça, além de semente, frutas e bagas. Por sua vez, são caçados por lobos, raposas-vermelhas e grandes aves de rapina. Quando atacado prefere esconder-se ou gritar e costuma fingir-se de morto.

A população asiática vem diminuindo em decorrência da caça que lhe é movida por causa de sua pele, que representa 20% da produção de pele da Rússia; na China existem criações extensivas, também, objetivando o comércio de peles. Apesar disso a espécie é classificada com estatus de conservação pouco preocupante.

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